Veículos não-tripulados: alta tecnologia na superfície do mar

A utilização de minas navais é uma das alternativas de guerra mais baratas para quem as arremessa ao mar e uma das mais caras – e complicadas – para aqueles que têm a missão de encontrá-las e eliminá-las. Tendo em vista que a principal característica das minas aquáticas é a de não serem localizadas, elas provocam, nos adversários, a incerteza sobre se determinada área é, ou não, um território de alta periculosidade. Além disso, as minas também podem ser utilizadas para ações de guerras assimétricas, ou seja, criminosas ou terroristas, que acontecem nas entradas de portos importantíssimos para o comércio marítimo dos países, podendo causar um verdadeiro caos econômico e estratégico.

Para o enfrentamento dessas ameaças, as Contramedidas de Minagem (CMM) desempenham um papel fundamental para estes cenários. Os Navios de Contramedidas de Minagem (MCMV, do inglês Mine Countermeasure Vessel) da Saab podem parecer, à primeira vista, embarcações comuns, no entanto, são extremamente modernas, com sistemas preparados para enfrentar as diferentes modalidades de guerra de minas, o navio oferece o conceito de "toolbox", em português, caixa de ferramentas, para lidar com as mais diversas situações.

Sob este conceito, o navio é composto por um casco e uma superestrutura de material compósito altamente tecnológico —  um sanduíche de plástico reforçado com fibra de vidro, conhecido como GRP; soluções embarcadas de última geração; tripulação especializada e treinada; exploradores submarinos e veículos de superfície não-tripulados. Juntas, essas características categorizam o navio como uma embarcação de alta prioridade para os comandantes de frotas.

Os materiais compósitos têm as características amagnéticas necessárias e imprescindíveis para a guerra de minas. Essas embarcações são mais resistentes a choques de explosões, garantindo a longevidade do navio e a segurança da tripulação.  Outra característica desse material é o baixo custo de manutenção, se comparado às embarcações fabricadas com aço, minimizando as despesas ao longo da vida do navio e de suas operações.

Os veículos de superfície não-tripulados, também conhecidos pela sigla USV, do inglês Unmanned Surface Vehicle, ampliam as possibilidades do navio, por exemplo, na aproximação e na varredura de áreas que sejam, inicialmente, de difícil acesso.

A Saab Kockums, uma das líderes mundiais em sistemas navais, investe em pesquisa e desenvolvimento de novas soluções para esse tipo de plataforma. “Construímos um histórico comprovado de fornecimento, bem como sistemas e subsistemas integrados, para todo o domínio naval. As nossas pesquisas nos permitem abrir novos caminhos e desenvolver soluções tecnicamente avançadas e independentes para enfrentar os desafios dos mares de hoje e do futuro”, comentou Robert Petersson, diretor de vendas da Saab Kockums.

Um exemplo de alta tecnologia e inovação que compõe o sistema do MCMV é o SAM (Surface Autonomous Marine), um veículo de superfície não-tripulado controlado remotamente a partir dos Navios CMM. “O veículo foi desenvolvido pela Saab para a remoção de minas navais. Este sistema é capaz de operar em configurações alternativas, com alteração de sua carga útil e, também, pode ser aplicado em outros tipos de missões de contramedidas de minagem como, por exemplo, o de caçar minas por meio de sonar”, explicou Petersson.

A engenharia do SAM

O primeiro veículo de superfície autônomo SAM foi desenvolvido no início dos anos 1980 e os modelos SAM 1 e SAM 2 foram exportados para quatro marinhas ao redor do mundo. A terceira geração do produto, designado SAM 3, recebeu um casco fabricado de tubos de borracha com vários compartimentos cheios de ar para as missões mais desafiadoras.

A nova estrutura é responsável pela absorção de grandes quantidades de energia e também pela diminuição do arranque para equipamentos e máquinas a bordo. Além disso, uma base ampla do casco com alto grau de flutuabilidade, reduz os riscos de a embarcação tombar. Versátil, o SAM 3 pode ser desmontado e armazenado em um contêiner de 40 pés, podendo assim, ser transportado por via terrestre, aérea ou naval.

“Apesar de esse tipo de embarcação ter excelente resistência a choques resultantes de detonações de minas próximas, esse veículo não-tripulado, remoto ou autônomo, aumenta a capacidade das operações em áreas complexas para a atuação do navio. Um SAM é muito versátil e pode operar na remoção de minas em águas confinadas, como portos, arquipélagos e corredores estreitos de embarque”, exemplificou Piet Verbeek, diretor de vendas da Saab do Brasil.

O veículo é bastante sustentável e tem capacidade de operar em missões realizadas em águas rasas, a partir de três metros, ou em áreas mais profundas, com mais de 60 metros, sempre em combinacão com o navio CMM.

O SAM 3 também teve a capacidade de manobrabilidade ampliada, pois agora conta com dois propulsores com hélice. Essa atualização fornece uma capacidade rápida de contramedidas de minas a fim de garantir o acesso seguro a portos e linhas de comunicação marítima no ambiente litorâneo e ribeirinho.

As operações de remoção de minas atuais se baseiam na imitação precisa das assinaturas magnéticas e acústicas dos navios-alvo. Essas assinaturas podem ser extremamente baixas, como em uma embarcação MCM desmagnetizada, ou alta, como é o caso das grandes embarcações comerciais. “O SAM tem a capacidade de simular diferentes tipos e tamanhos de navios sem colocar em risco a vida da tripulação e a própria embarcação, elevando a capacidade de exploração de minas a um novo nível de eficiência e segurança”, analisou Petersson.

As oportunidades de P&D em varredura

Para atuar nesse cenário, que se apresenta em constante mudança, a Saab investe em pesquisa e desenvolvimento para se manter no estado-da-arte da inovação e da tecnologia. As próximas gerações do SAM, por exemplo, poderão contar com aspectos que já estão sendo estudados internamente, como vários conceitos técnicos, design, tecnologia de casco e choque, propulsão, energia e manobras, além de hardware de varreduras acústica e magnética.

Também são realizadas melhorias no planejamento da missão, integração de sistemas de Comando e Controle (C2) no MCMV, transporte e logística, algoritmos de varredura e engenharia de produção. No geral, as atualizações e o desenvolvimento evolutivo acontecem como um todo na caixa de ferramentas de Contramedida de Minagem

SAM 3 pelos mares do mundo

Treze unidades do SAM são operadas por quatro marinhas ao redor do mundo e têm provado sua alta capacidade de limpar águas infestadas de minas de maneira eficiente e com resultados significativos. Dentre os clientes estão as marinhas da Suécia, dos Estados Unidos, do Japão e de Cingapura.

A Saab Kockums tem por objetivo fomentar a cooperação entre os seus clientes – governos, indústrias e as universidades, seguindo o modelo da Hélice Tripla, por exemplo, para promover o desenvolvimento e o aperfeiçoamento de equipamentos como o SAM 3 junto com os navios CMM. “Essa cooperação tem sido fundamental para o aprimoramento de tudo o que compõe essa tecnológica caixa de ferramentas, considerando a tripulação, a embarcação tripulada e não tripulada, além dos veículos subaquáticos”, explicou Petersson.