A COVID-19 proporciona a Aeroportos e Companhias Aéreas uma nova oportunidade para compreender o modelo operacional A-CDM

A drástica redução do transporte aéreo, devido a pandemia de COVID-19, proporciona uma importante oportunidade de adaptação das companhias aéreas e concessionárias aeroportuáriasa uma nova cultura de operação aeroportuária.

A pandemia de COVID-19 e o consequente fechamento de fronteiras visando a redução da transmissão do vírus afetou drasticamente o tráfego aéreo mundial. Segundo a CANSO (Civil Air Navigation Services Organization), a redução do movimento médio no mundo foi de 81%, com picos de 90% em regiões como a América do Sul, 89% na África e 87% na Europa.

O período de baixa, com expectativa de recuperação lenta e gradual, pode ser considerado oportuno para a reorganização e adaptação da forma de operar das concessionárias aeroportuárias e das empresas aéreas. “Esse parece ser o momento ideal para que companhias aéreas e operadores aeroportuários dediquem-se efetivamente a compreender as reais oportunidades e os desafios associados à implantação do modelo operacional A-CDM, antes que tenhamos a retomada total das operações”, diz Sergio Martins, diretor da área de Gestão de Tráfego Aéreo da Saab para a América Latina.

O A-CDM (Airport Collaborative Decision Making) é um modelo de operação aeroportuária que propõe um esforço integrado de todos os agentes que operam no ambiente aeroportuário (operador aeroportuário, controle de tráfego aéreo, companhias aéreas, agentes em solo, prestadores de serviço, etc), no sentido de compartilhar informações e decisões, buscando mais racionalidade e previsibilidade das operações.

“Trata-se de uma mudança de paradigma, que reflete a transição da cultura de que quem pede primeiro é servido primeiro (‘first come first served’) a um ambiente no qual um melhor planejamento integrado global, resulta em um serviço mais eficiente para todos (‘best planned, best served’)”, explica Martins.

Algumas regiões do mundo já são bastante desenvolvidas no que diz respeito às iniciativas A-CDM, mas outras ainda buscam compreender os reais ganhos da mudança de paradigma. “Apesar de otimizar a utilização do uso da infraestrutura dos aeroportos e espaços aéreos e proporcionar relevante redução de custos, o A-CDM não deve ser reduzido a uma simplista e irreal”, ressalta o executivo.

A proposta do modelo operacional A-CDM é de aumento da disponibilidade global de infraestrutura aeroportuária (e espaço aéreo adjacente), resultante de uma considerável redução da flexibilidade individual das companhias aéreas na reserva de vários itens de infraestrutura, como portões de embarque, fingers, pushbacks tugs, slots de decolagem, etc. “É um esforço conjunto no sentido de privilegiar o todo em detrimento do individual. O exercício de gestão compartilhada envolve necessidade de disciplina e rigidez para todos. Em uma sociedade, o benefício do todo vem sempre em primeiro lugar, mesmo que isso implique em perdas individuais pontuais”, exemplifica Martins.

Mas para ser eficaz, é fundamental que iniciativas de desenvolvimento de programas A-CDM contem, desde suas primeiras etapas, com a participação efetiva e colaborativa de todas as entidades envolvidas na operação aeroportuária, principalmente companhias aéreas e operadores aeroportuários.  “Toda a literatura disponível sobre o A-CDM enfatiza a necessidade de envolvimento real das companhias aéreas e operadores aeroportuários desde a avaliação inicial do cenário existente”, finaliza o executivo.