O RBS 70 NG sob a ótica do Exército Brasileiro

Desde 2014, o Exército Brasileiro dota sua Artilharia Antiaérea com o Míssil de Baixa Altura Telecomandado RBS 70, da Saab. O sistema pode ser utilizado em situações de crise, guerra ou não-guerra, provendo a defesa antiaérea tanto das tropas em combate quanto de infraestruturas estratégicas do Brasil. Em 2018, o Exército assinou um contrato para aquisição do RBS 70 NG, a nova geração do sistema.

O Comandante da 1ª Brigada de Artilharia Antiaérea, General de Brigada Alexandre de Almeida Porto, contou um pouco de sua experiência e a interação do Exército com o sistema.

Quando surgiu a necessidade da adoção do sistema RBS 70?

A adoção do RBS 70 surgiu a partir da necessidade do emprego de um sistema de artilharia antiaérea para os grandes eventos que acontecem no país, como a Copa do Mundo, os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos. O RBS 70 surgiu para o atendimento de novas necessidades. Este é um equipamento eficiente, com poucos danos colaterais, que pode ser utilizado com grande eficiência em áreas urbanas, principalmente onde existe a necessidade de se realizar uma exclusão do espaço aéreo.

Por que o Exército Brasileiro adquiriu a nova geração do RBS 70?

A aquisição do RBS 70 NG é uma evolução natural. Nós começamos com o RBS 70, então surgiu uma necessidade de operar com maior eficiência durante a noite, sob chuva, com neblina, enfim, em condições climáticas adversas. O RBS 70 NG vem para complementar essa necessidade e vai trazer uma nova capacidade para a defesa antiaérea do Exército Brasileiro. A ideia é que o RBS 70 NG conclua com eficiência a todas as exigências que estão surgindo, os exercícios, as manobras e o emprego real desse sistema que, com certeza, vai nos dar novas capacitações.

Quais são os ganhos com essa nova aquisição?

Para nós da Brigada de Artilharia Antiaérea, a adoção do RBS 70 NG foi um avanço. Tivemos um ganho de capacidade operacional. Nós deixamos de utilizar unicamente um míssil guiado por infravermelho, para ter um míssil que tem um maior alcance e pode ser guiado por um facho de laser.

Em relação aos incrementos na nova geração do RBS 70, o que é possível ressaltar como principal diferencial para a defesa antiaérea do Brasil?

O mais importante para nós, não foi somente o fato de ampliar a capacidade do míssil, mas também a possibilidade de utilizarmos o míssil em áreas urbanas. Se utilizarmos o míssil em uma cidade que pode ser alvo de ataque, mas que ainda exista um tráfego aéreo civil normal, temos a possibilidade de autodestruir o míssil ainda em sua trajetória. Essa possibilidade diminui o efeito colateral, ampliando muito a capacidade da Artilharia do Exército.

Além disso, o RBS 70 NG tem outras facilidades, como o transporte e a instalação. Para operações em grandes eventos, por exemplo, como foi o caso da Operação Posse, em que foi preciso deslocar rapidamente o posto de tiro de uma posição para outra, o RBS 70 NG é uma ótima solução, principalmente em áreas urbanas. Porque se estiver em uma determinada posição e precisar deslocar para outra área, é possível fazer isso rapidamente

Como o RBS 70 NG será integrado ao já existente arsenal do RBS 70?

O nosso planejamento é ir dotando os grupos de artilharia antiaérea que ainda não completaram o seu estoque de unidades de tiro do RBS 70 clássico. Nós vamos, a partir de agora, realizar outras aquisições e completar as dotações dessas unidades com o RBS 70 NG. Esse é o nosso grande objetivo.

Qual é a importância de um suporte adequado para atender às necessidades do Exército em relação aos sistemas em uso? Como a Saab, contribui com o pós-vendas?

A Saab está contribuindo conosco em dois setores: no pós-venda com a manutenção, com o Suporte Logístico Integrado (SLI), e junto ao Batalhão de Manutenção e Suprimento de Artilharia Antiaérea. Os nossos militares estão sendo capacitados pela própria Saab para realizar alguns tipos de manutenção, dando condições aos nossos técnicos de realizarem operações de manutenção de primeiro escalão.

Em relação ao adestramento do atirador, qual o tempo necessário para a preparação? O sistema é realmente fácil de ser operado?

O atirador precisa de pouco tempo de preparo para operar o sistema RBS 70. Pelo que nós vimos, pelo que estamos testando e pelo que ainda vamos testar dentro dos próximos meses, esse tempo de adestramento do atirador é ainda menor com o RBS 70 NG, porque ele é mais automatizado e tem necessidade reduzida de interferência do ser humano no sistema.

O senhor já testou o simulador do sistema?

Já treinei nos dois simuladores, tanto no RBS 70 quando no RBS 70 NG. Necessita de um certo adestramento, coisa que os nossos militares do Exército se dedicam diuturnamente para isso, então para eles é mais fácil. Como General é mais complicado porque hoje tenho outras atribuições, mas já utilizei e não tem dificuldades. Algumas horas de treinamento são suficientes para operacionalizar um sistema.