O próximo passo: conheça os principais cenários de atuação do Gripen no Brasil

O major aviador Ramon Lincoln Santos Fórneas, coordenador operacional do Grupo Fox, destacou as três principais missões que o Gripen será encarregado de executar assim que chegar ao Brasil e começar a servir à Força Aérea.

Com a aproximação da chegada dos caças nos céus brasileiros, algumas dúvidas sobre quais serão os cenários de emprego do Gripen ganham luz. Para ajudar na compreensão das principais ações da Força Aérea Brasileira (FAB), o major aviador Ramon Lincoln Santos Fórneas, coordenador operacional do Grupo Fox – nome da equipe de seis pilotos de caça dedicada a coordenar a implantação operacional do novo avião de combate da FAB – destacou as três principais missões que o Gripen será encarregado de executar assim que chegar ao Brasil e começar a servir à Força Aérea.

"Quando recebemos a missão de determinar a empregabilidade do Gripen, iniciamos os estudos sobre as ações que essa aeronave poderia desempenhar para atender às necessidades da FAB" explicou o major Fórneas. A aviação de caça contempla várias ações e, por isso, o grupo levantou inúmeros cenários sobre como aproveitar da melhor forma as capacidades dessa aeronave de última geração. "Nós selecionamos três ações especificas para o Gripen desempenhar, assim que chegar à Força Aérea Brasileira: ações de defesa aérea, varredura e escolta".
Segundo Fórneas, a defesa aérea consiste, basicamente, em proteger os meios da Força Aérea, as bases e os aviões contra as ameaças externas. "Nesse caso, a aeronave atua próximo às fronteiras para combater tráfego ilícito de drogas e de armas com a finalidade de proteger o território nacional", explicou. Outro exemplo é a atuação em grandes eventos como foi no caso da Copa do Mundo e das Olimpíadas que aconteceram no país. "Nós tínhamos várias aeronaves fazendo a ação de defesa aérea durante os jogos".
A ação de varredura é quando o caça tem por objetivo detectar, identificar e neutralizar ou destruir vetores aéreos inimigos em espaço aéreo de interesse para assegurar, por exemplo, que as aeronaves amigas adentrem em território hostil com características mais ofensiva.

Já a escolta é quando se defende meios específicos da FAB. "Um exemplo de escolta é quando o Gripen receber a missão de decolar para proteger uma força específica, como é o caso do avião multimissão KC-390, ao sobrevoar um território inimigo para lançamento de paraquedistas, por exemplo" ilustrou o major.

O Brasil precisa dessa tecnologia

É muito comum ouvir questionamentos dos brasileiros sobre a necessidade de adquirir uma frota de caças supersônicos já que o país não está em situação de guerra. "Realmente não estamos em um cenário conflituoso, mas precisamos nos defender de outras ameaças reais e relevantes, já que o Brasil é um país único em riquezas naturais, como a Amazônia e o Pré-sal. O Gripen está totalmente inserido nesse contexto e a Força Aérea está sendo preparada para empregar os seus meios frente a essas hipóteses", justificou o major.
O Gripen vai engajar nesses cenários mapeados com uma capacidade bastante superior às encontradas hoje nas frotas da FAB, principalmente nos quesitos autonomia, desempenho, equipamentos embarcados, poder bélico, reabastecimento em voo, entre outros. "O novo caça vai muito além do que temos atualmente. Não existe parâmetro de comparação", finalizou.