Entrevista com Pontus de laval

A última edição do Defesa em Foco especial para a LAAD Defence & Security 2017 é focada em Inovação, um assunto chave para a Saab. O pensamento inovador da Saab, presente na tecnologia de ponta de soluções desenvolvidas para dar suporte a exércitos, marinhas e forças aéreas, pôde ser visto pelos visitantes da feira internacional na última semana.

A seguir, conversamos sobre Inovação com Pontus de Laval, responsável pela área de tecnologia (CTO) da Saab AB. Membro de vários comitês de pesquisa, o executivo é parte do Lindholmen Science Park, do Instituto de Tecnologia Blekinge, do Instituto de Ciência e Tecnologia ACREO, do Programa de Sistemas Autônomos Wallenberg e do Centro de Inovação Sueco-Brasileiro (CISB).

D em F: Todos os setores dependem da inovação, de alguma forma, para ter sucesso. O que isso significa para a indústria de defesa?

Pontus de Laval: Para a Saab é extremamente necessário ser inovadora. A inovação está no nosso DNA. Somos menores que nossos concorrentes e, por isso, nossos sistemas realmente precisam ser melhores do que os sistemas deles. A indústria de defesa tem o histórico de liderar o desenvolvimento tecnológico em várias áreas. Porém, hoje, essa liderança é do setor civil. Essa é a mudança vista nos últimos anos. Mas a inovação é essencial para o desenvolvimento da indústria de defesa.

D em F: Como a inovação pode colaborar para o desenvolvimento das indústrias de defesa na América Latina e no Brasil? É diferente dos outros países? Por quê?

Pontus de Laval: Iniciamos a colaboração e a inovação com o Brasil tanto pelo lado acadêmico quanto pelo lado industrial, com empresas como a Akaer e a Embraer, com as quais estamos desenvolvendo a versão biposto do Gripen. É fácil trabalhar com um país como o Brasil, onde há universidades importantes e profissionais qualificados na indústria. Também vemos que esse tipo de colaboração é possível na Colômbia, tanto no lado acadêmico quanto com a indústria.

D em F: A transferência de tecnologia é um conceito inovador na indústria de defesa? Como isso poderia mudar os negócios em outros países e por que pode ser interessante tanto para as empresas quanto para os clientes?

Pontus de Laval: Sim. No Brasil, estamos desenvolvendo o caça biposto e esse suporte tecnológico, essa metodologia, ambos serão utilizados no desenvolvimento da próxima geração de caças. Isso é muito interessante e benéfico para o Brasil e para a Suécia. Sob a perspectiva de negócios sueca, nós precisamos encontrar parceiros internacionais para o desenvolvimento da próxima geração do Gripen e espero que o Brasil seja um de nossos parceiros. Por outro lado, o Brasil escolheu o Gripen porque poderá ter a capacidade de produzi-lo. Acredito que, sob a perspectiva brasileira, parceria de longo prazo também é benéfica.

D em F: Quais atitudes reais e efetivas as indústrias de defesa da América Latina podem adotar para que cresçam consistentemente?

Pontus de Laval: O ponto chave é realmente ter produtos de alta qualidade, no estado da arte. É necessário ser competitivo, ser o melhor no que faz e ter alta tecnologia. É necessário ter suporte do governo, talentos, universidades fortes. E é preciso correr riscos, investindo mais em pesquisa e desenvolvimento.

D em F: Quais são as oportunidades atuais para a indústria de defesa mundial e, principalmente, para a da América Latina?

Pontus de Laval: Depende das necessidades locais. Algumas nações da América Latina precisam renovar suas frotas, por exemplo, e as aeronaves que serão produzidas no Brasil poderiam ser vendidas para outros países.

D em F: Como a indústria de defesa está lidando com as ameaças cibernéticas? As medidas que vem sendo tomadas são eficientes?

Pontus de Laval: Essa é a ameaça mais importante atualmente. É extremamente importante que a indústria de defesa esteja preparada para agir contra os ataques cibernéticos. A Saab investe consideravelmente para proteger seus sistemas. Cada vez mais veremos elementos de ataques cibernéticos em uso nas estratégias militares, tanto contra os sistemas militares quanto contra as infraestruturas civis. É possível destruir um país, atacando suas empresas de geração de energia, de telecomunicações, de abastecimento, entre outras. Todo o mundo está trabalhando para enfrentar essa ameaça e as medidas podem ser efetivas. Temos capacidade para proteger tanto nossos sistemas militares quanto a sociedade se fizermos isso da maneira correta.

As opiniões contidas nesta publicação não refletem necessariamente a opinião da Saab do Brasil e da Saab AB.