Um Legado: O Transbordamento de Tecnologia

O Programa Gripen brasileiro inclui mais de 50 projetos de offset – uma compensação de natureza industrial, tecnológica e comercial –, a fim de promover a autonomia da Força Aérea Brasileira (FAB) e da indústria aeronáutica na aquisição de know-how em inteligência de defesa e independência na manutenção dos caças.

Os projetos de compensação industrial e tecnológica já começaram no Brasil e seguem à chamada de uma lista robusta de offsets que ainda estão por vir. O trabalho é grande, mas o intuito é garantir que, mesmo após a entrega dos 36 caças Gripen à FAB, os esforços e as novas tecnologias sejam uma herança para a posteridade dos negócios nacionais. "Iniciamos a colaboração com o Brasil tanto pelo lado acadêmico quanto pelo lado industrial", explica Pontus de Laval, responsável pela área de tecnologia (CTO) da Saab. "Estamos trabalhando juntos por meio da cooperação industrial existente no Programa Gripen para o Brasil e o embrião dessa transferência e da geração de inovação e tecnologia pela Saab é o Centro de Projetos e Desenvolvimento do Gripen, o GDDN", comenta ele.

Com a ativação do GDDN, em novembro de 2016, em Gavião Peixoto, a transferência de tecnologia iniciou sua consolidação. No fim de 2017, 110 especialistas já trabalhavam no GDDN no desenvolvimento dos caças.

Ao longo dos anos, quando o GDDN estiver a pleno vapor, cerca de 280 funcionários farão parte deste time, potencializando sua referência no mercado de defesa. O GDDN faz parte das compensações de offset, cujo valor total excede U$$ 9 bilhões.

Embraer, AEL Sistemas, Akaer, Atmos, Atech e a própria FAB, por meio do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeronáutica (DCTA), participam dessa grande roda de inovação interagindo com os projetos, por meio do GDDN, e contribuem com o desenvolvimento e as adaptações necessárias para que o Gripen atenda aos requisitos da FAB. É por meio dessas parceiras que se torna possível notar o transbordamento de conhecimento, impactos tecnológicos e contribuição real para o desenvolvimento de competências do Brasil no mercado aeronáutico e de defesa.

Entre outros tópicos desse grande programa, o próximo grande passo está para acontecer: a implementação da Saab Aeronáutica Montagens (SAM) em São Bernardo do Campo, município do Grande ABC Paulista. A fábrica será responsável pela produção de aeroestruturas para as versões monoposto e biposto dos caças Gripen da FAB. "Estabelecer a produção dos caças Gripen no Brasil para apoiar a continuidade do programa faz parte do nosso comprometimento, assim como criar novos empregos e apoiar o desenvolvimento da indústria de defesa local", explica Mikael Franzén, chefe da unidade de negócios Gripen Brasil na Saab. "Os dois primeiros anos do programa Gripen se concentraram no desenvolvimento da aeronave e no início do programa de transferência de tecnologia. Estamos agora dando sequência ao nosso cronograma de ações", comenta ele.

A instalação do GDDN em Gavião Peixoto, o envolvimento de tantas outras empresas no processo de desenvolvimento e construção do Gripen, o envio de profissionais a fim de adquirir conhecimento na Suécia para aplicar nos projetos nacionais e o estabelecimento da fábrica de aeroestruturas da Saab em São Bernardo do Campo – que, inicialmente, irá suprir as necessidades do Gripen, mas posteriormente vai estar capacitada para ampliar os negócios do Brasil para o mercado aeronáutico mundial – fazem parte de um planejamento global para aperfeiçoamento e ampliação da tecnologia das indústrias brasileiras no mercado de defesa.

Mais do que conhecimento, o processo todo de transferência de tecnologia promove a capacitação de uma nova mão de obra especializada, amplia o grau de autonomia da FAB em capacidade de manutenção, que passa a ter maior competência para a integração de armamentos e sistemas, além de melhorias nos processos das indústrias envolvidas no Programa Gripen brasileiro, coroando um legado importante para o País, de longo prazo, que está começando.