Encontrando a agulha no palheiro

Quando um radar foi colocado em ação pela primeira vez, durante a Segunda Guerra Mundial, geralmente fazia varreduras de médio alcance, antes de evoluir e ter um alcance de detecção adequado para detectar alvos, fossem eles aviões de caça em combate ou mísseis guiados.

Conforme aprimoramentos eram feitos, o radar foi se tornando menor ao mesmo tempo em que sua área de cobertura aumentava. Isso funcionou muito bem até a chegada de novos oponentes, a exemplo da tecnologia stealth.

“Muitas pessoas acreditam que stealth significa invisibilidade”, disse o vice-presidente e chefe de unidades de negócios da Saab, Anders Linder. “Mas só existe um produto invisível no mundo: a capa de invisibilidade do Harry Potter”.

O stealth, na verdade, é a capacidade de se tornar menor na visão do radar. Desse modo, se o objeto for observado de diversos ângulos ele será visto de modos diferentes.

“Considere um míssil de sete metros de comprimento e um metro de largura”, disse Anders Linder. “É um míssil grande de qualquer ponto de vista, mas se você olhar para ele de diferentes ângulos, verá tamanhos diferentes. De um ângulo, ele terá o tamanho de uma bola de basquete. De outro ângulo, mais fechado, ele terá o tamanho de uma bola de futebol, e do ângulo mais agudo, esse míssil enorme terá o tamanho de uma bola de golfe. Agora imagine tentar encontrar uma bola de golfe viajando em alta velocidade por uma grande distância. Não é fácil”, explicou.

Segundo Linder, “o alcance de detecção dos radares existentes é muito mais curto que a distância necessária para a interceptação. Por sua vez, a corrida armamentista de hoje é uma luta entre alvos mais furtivos e radares cada vez mais avançados”.

Outro problema são os drones, ou veículos aéreos não tripulados (VANTs). Eles não são stealth, mas são pequenos e voam em baixas velocidade e altitude. O problema não é vê-los, mas sim o fato de existirem outros objetos pequenos voando em baixa altitude e lentamente, como os pássaros.

Imagine um operador de radar vendo uma centena de alvos na tela e 99 deles são pássaros. Isso é muito confuso. Aprimorar o ‘cérebro’ do radar permite que o aparelho separe os pássaros para que o operador não os veja mais.

Um terceiro problema é a interferência. Se você tiver bons radares, os oponentes tentarão interferir neles, lançando muita energia e microondas. Para detectar o alvo, o radar precisa ser bom o suficiente para mandar um sinal muito fino e poderoso, via interferência. Isso pode ser comparado a tentar ouvir uma abelha, estando parado em uma pista de pouso durante a decolagem de um avião. Parece impossível, mas equivale ao que os radares modernos são capazes de fazer.

Anders Linder adiciona ainda que “o radar moderno é capaz de lidar com três grandes problemas: tecnologia stealth, pássaros e interferência – e ele continuará a evoluir na medida em que os oponentes e outros fatores criem novos problemas”.