Defendendo os Mares

Os novos desafios de segurança no mar estão enfatizando a função de policiamento desempenhada pelas marinhas do mundo. O exercício de controle do mar no sentido militar ocupa uma posição secundária enquanto a cooperação para garantir o fluxo de transporte marítimo é mais predominante. Atualmente, exigimos equipamentos tecnológicos avançados que sejam desenvolvidos em consonância com um entendimento das crescentes ameaças que estão surgindo no mar. A Saab está na linha de frente da corrida contínua da tecnologia.

Com poucas exceções, o mundo não vê conflitos navais desde a Segunda Guerra Mundial. “O trabalho da marinha hoje é uma combinação de diplomacia e policiamento”, disse Peter Behrendt, Chefe Global de Desenvolvimento de Negócios Navais na Saab. “A marinha trabalha para proteger a liberdade da navegação e da marinha mercante, um importante transporte marítimo, e para combater piratas e contrabandistas”.

Peter Behrendt foi anteriormente oficial da Marinha Real australiana e participou de ações na costa oeste do Canadá junto com a Marinha Real canadense. Ele também serviu no Golfo Pérsico e na Ásia. Na Saab, ele faz excelente uso de sua experiência anterior, monitorando oportunidades e avanços nas tecnologias de segurança marítima adaptadas a esses novos desafios.

Peter Behrendt resume a necessidade de proteger os mares em três categorias. Na primeira categoria, os países precisam proteger seus ativos, como petróleo, gás e reservas minerais no Mar da China Meridional, no Atlântico Sul na costa da África Ocidental, no Mar do Caribe na costa da América do Sul, na costa norte da Austrália e na Antártida. Na segunda categoria, os países precisam proteger as áreas geográficas localizadas em posições estrategicamente importantes, como no caso da recente disputa entre a China e o Japão sobre um grupo de ilhas áridas e não habitadas a sudoeste da ilha japonesa de Okinawa. A terceira categoria refere-se a combater ataques de contrabandistas e piratas para possibilitar a passagem livre do comércio.

Proteger-se contra a pirataria é difícil, na opinião de Peter Behrendt. Os piratas atacam em locais onde sabem que os navios precisam passar, como, por exemplo, no Golfo de Áden na costa da Somália e outros "Gargalos" do comércio marítimo. Trata-se de um importante corredor de transporte e é impossível evitar que navios cruzem o Canal de Suez. E as cargas são valiosas – do comercio global total, até 90 porcento são transportados pelo mar.

“Os piratas têm um conceito de negócio muito evoluído. Eles criaram um medo tão intenso que aqueles que são atacados têm pouca opção a não ser se renderem, a menos que possam pedir proteção direta das forças navais ou de suas próprias equipes de segurança. Isso que significa que os piratas não sofrem quaisquer perdas ou danos e podem ganhar quantias enormes com relativamente pouco risco. Confrontos armados que resultam em acidentes não são do interesse de ninguém”.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas estima que resgates de até 150 milhões de dólares foram pagos á piratas na Somália em 2011. No final de 2011, 265 pessoas eram mantidas reféns por piratas que ampliaram gradualmente suas áreas de operação no Oceano Índico. O número de vidas perdidas é grande demais e complexo demais para se calcular.

Porém, embora seja difícil combater os piratas, os esforços de cooperação entre as forças navais internacionais têm conseguido reduzir a incidência da pirataria. Na primeira metade de 2012, o número de ataques piratas no Golfo de Áden na costa da Somália caiu para 69 – uma redução de mais de 50 por cento em relação ao ano anterior.

O principal instrumento para combater piratas e contrabandistas é o monitoramento. Os navios informam a sua localização aos armadores, agências de coordenação e marinha pelo Sistema de Identificação Automática (AIS), que fornece informações sobre a posição, curso, velocidade, destino e informações básicas como, por exemplo, nome, tamanho e carga a bordo do navio.

“Aqueles que desejam ser vistos e protegidos comunicam suas presenças para obter uma passagem segura. O problema é que aqueles nos quais estamos interessados em ver, os piratas e contrabandistas, nunca se deixam notar”.

 Uma solução para esse problema é um monitoramento independente, denominado Vigilância Não Dependente, que é baseada no monitoramento a partir da terra. Todos os navios que passam ao largo da costa são visíveis em determinadas condições por meio de uma variedade de tecnologias. O monitoramento é realizado por meio de instalações de radar de sobreposição e as unidades da guarda costeira comparam os resultados com os relatórios do AIS. Os barcos desviados são verificados, pois existe uma suspeita de que eles possam ser contrabandistas ou piratas.

Existe também uma variedade de equipamentos técnicos altamente desenvolvidos que podem ser combinados em um número infinito de formas para garantir a segurança no mar.

“Combater a pirataria e proteger as fronteiras marítimas está se tornando uma tarefa cada vez mais difícil para as forças navais. A corrida agora é para equipar as forças de segurança com monitoramento e controle avançados de forma que elas possam estar um passo à frente dos contrabandistas. Até o momento, a Saab está na dianteira," disse Peter Behrendt. “Equipamentos adaptáveis, por exemplo, permitem abordar navios suspeitos utilizando barcos relativamente pequenos”. Essa é a área em que Peter Behrendt vem se destacando no desenvolvimento de novos produtos para a Saab, em cooperação com a Marinha Real australiana.

“O desafio é manter-se um passo à frente e prever onde e como novas situações críticas surgirão. E, de preferência, resolver o problema antes que surja a situação crítica”, concluiu Peter Behrendt.