A Transferência de Tecnologia
pelas mãos dos profissionais

Muitos falam sobre realizações na carreira e satisfação pessoal. Os profissionais que deixaram o Brasil com destino à Suécia, e vice-versa, são o maior ativo intangível dos países, carregando consigo tecnologia e conhecimentos poderosos. Até o fim das entregas dos 36 Gripen adquiridos pela Força Aérea Brasileira (FAB), em 2024, cerca de 350 engenheiros e técnicos de ambas as nacionalidades terão vivido essa emocionante jornada de vida pessoal e profissional.

Para executar a promessa de transferência de tecnologia firmada entre a Saab e o Brasil, brasileiros são expatriados, juntamente com suas famílias, para viverem aquela que pode ser a maior experiência de suas vidas: trabalhar no desenvolvimento dos caças Gripen da FAB e ser a ponte de transferência de toda essa tecnologia para o Brasil. "Meu gerente me chamou na sala, apertou a minha mão e disse: 'Parabéns, você está indo para a Suécia'", comenta, orgulhoso, o engenheiro de hardware e software da AEL, Antônio da Fontoura. Desde 2015, nossos engenheiros têm tido a real experiência de desenvolver o novo caça brasileiro em conjunto com os suecos.

Fora a missão de captar tudo que for possível lá na Suécia, os brasileiros são desafiados ainda à adaptação a uma nova cultura e a um inverno rigoroso. "Embarcamos para aprender como funciona o Gripen. Fomos inseridos em uma equipe para aprender a metodologia do trabalho, as ferramentas que os suecos usam para depois trazer esse conhecimento de volta ao Brasil e multiplicá-lo aqui. Então, o grande desafio foi assimilar tudo o que esperavam que eu aprendesse e, ao mesmo tempo, ajudar minha família a se adaptar ao novo país", comenta Delmar Bacarin, engenheiro de eletroeletrônica da Embraer, um dos primeiros a embarcar para a Suécia.

O que antes era uma teoria no papel vem se tornando realidade: entre outubro de 2015 e dezembro de 2017, mais de 100 engenheiros foram treinados na Suécia. No fim de 2017, cerca de 60 profissionais estavam ainda vivendo essa experiência na Saab em Linköping. Esse programa não é especial apenas para os brasileiros. Os suecos que desembarcaram por aqui já adotaram o Brasil como segunda casa e se sentem à vontade dentro do Centro de Projetos e Desenvolvimento do Gripen (GDDN – Gripen Design and Development Network) em Gavião Peixoto (SP), terra de sol forte o ano inteiro.

Um deles, Peter Kronkvist, arquiteto de softwares da Saab, começou a aprender português antes de se candidatar à vaga brasileira. Ele se integrou à equipe do GDDN para ajudar o novo time na compreensão do sistema e adaptação das tecnologias. "Estou envolvido no Programa Gripen antes mesmo do modelo E. Nossos esforços são para implementar as informações e os dados de sistema para os profissionais aqui no Brasil. Além disso, desenvolvemos o sistema dos computadores de bordo juntamente com o apoio e o comprometimento da equipe da AEL", comenta Peter. E complementa: "Estamos todos muito envolvidos com esse projeto, e sabemos que estamos lidando com profissionais muito capacitados, que fazem as coisas de forma excelente e com muita rapidez".

Os profissionais que estão na Suécia também vivem um processo intenso de imersão. "Passamos uma semana inteira dentro dos simuladores, a fim de compreender como o sistema do Gripen funciona, e também pudemos sentir como esses sistemas operam, como, por exemplo, o capacete. Ele tem um visor que mantém as informações na viseira do piloto. Se tiver algum alvo designado, ao olhar para o lado, o capacete aponta para ele a sua localização", explica o engenheiro Antônio Fontoura. Todo esse empenho é para ampliar a versatilidade do Gripen com o propósito de fazer com que ele responda da melhor forma aos interesses da FAB.