GDDN
O Centro de Tecnologia do Gripen no Brasil

Pequena cidade do interior de São Paulo, com pouco mais de quatro mil habitantes, Gavião Peixoto recebeu em 2016 o Centro de Projetos e Desenvolvimento do Gripen (GDDN), foco da transferência da tecnologia entre suecos e brasileiros. É lá, nas ensolaradas terras do interior de São Paulo, que a Saab e a Embraer aprimoram e inovam em tecnologia de defesa e segurança do País, juntamente com as demais parceiras do Programa Gripen brasileiro.

Desde novembro de 2016, o Centro de Projetos e Desenvolvimento do Gripen, ou GDDN (Gripen Design and Development Network) é uma realidade em Gavião Peixoto. O GDDN foi implantado com a missão de ser o eixo central de grande parte do desenvolvimento tecnológico do novo caça do Brasil pela Saab e pela Embraer junto a outras empresas e instituições brasileiras parceiras. "A inauguração do GDDN é um marco importante no programa brasileiro do Gripen, pois será a base para a transferência de tecnologia e o desenvolvimento dos caças no País. O nosso compromisso com o Brasil é de longo prazo", diz Håkan Buskhe, CEO e presidente da Saab.

A transferência de tecnologia acontece por meio das mãos e do conhecimento de uma equipe formada, no fim de 2017, por 90 brasileiros e 20 suecos, totalizando 110 pessoas, sendo que este número irá crescer, podendo chegar a 280 engenheiros e técnicos dedicados ao desenvolvimento da nova aeronave de caça.

O GDDN é a materialização de um projeto grandioso entre Brasil e Suécia. O Programa Gripen brasileiro dará relevante autonomia no suporte logístico para a Força Aérea Brasileira (FAB), incluindo independência na manutenção e integração de armamentos e sistemas, representando uma grande melhoria nos processos da FAB para as evoluções da aeronave.

O GDDN é dotado de conexões seguras entre a Saab, na Suécia, e os seus parceiros industriais no Brasil, o que permite a execução conjunta de projetos de desenvolvimento, testes e verificação do Gripen, assim como sistemas de suporte. "Esse tipo de experiência se agrega à carreira de todos os envolvidos por conta de interação com outros profissionais de culturas diferentes. A conexão direta com a Suécia nos permite um fluxo mais fácil de tomada de decisão e prosseguimento na concretização e desenvolvimento do Gripen. Isso não tem preço, pois se trata de uma oportunidade única de participar do ciclo de desenvolvimento de um caça para o Brasil", diz Felipe Langellotti Silva, engenheiro de desenvolvimento de produto da Embraer.

Além do desenvolvimento do Gripen E (monoposto), a maior parte do desenvolvimento do Gripen F (biposto) está sendo feita no GDDN por engenheiros brasileiros, com o suporte da Saab. O Gripen F inicialmente está sendo desenvolvido com exclusividade para a FAB. Do total de 36 aeronaves adquiridas pelo Brasil, oito serão bipostos. Futuramente o GDDN abrigará, também, um Centro de Ensaios em Voo com equipamentos de última geração. "O GDDN é um legado, um ativo que fica aqui na planta da Embraer. Eu quero ver o primeiro voo do Gripen aqui em Gavião Peixoto", diz Santosh Miadaira Hamza, gerente do programa Gripen pela Embraer.

O projeto de transferência de tecnologia aplicada ao Programa Gripen brasileiro gera mão de obra especializada e estimula o Brasil a aprimorar, de forma positiva, seus programas de pesquisa e desenvolvimento no cenário da indústria aeronáutica. "Adquirir toda essa tecnologia faz com que a indústria nacional dê um salto para a inovação", diz Guilherme Lariu, engenheiro de cálculo estrutural da Embraer.